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Programação

10/12, às 19 h – DEBATE Mesa Para além da Aldeia, para além da Academia: lutas, histórias e narrativas indígenas em mídia digital

Para além da Aldeia, para além da Academia: lutas, histórias e narrativas indígenas em mídia digital

O ciberespaço cresceu em importância no jogo político. Nos últimos anos, acompanhamos ações articuladas a partir das redes sociais e pleitos alimentados por informações e debates realizados na internet. Com a pandemia do Coronavírus e as medidas de isolamento social, passamos por um processo acelerado de virtualização da vida a que tivemos que nos adaptar. Porém, a conexão para a luta e a confecção de redes à distância são desafios de longa data enfrentados pelos movimentos sociais e pelos povos originários. Construir rádios comunitárias,  valer-se de meios de comunicação alternativos, ocupar as redes sociais e torná-las espaços de formação vêm sendo algumas das estratégias de fortalecimento da resistência e de difusão científica. Esta mesa conjuga a larga experiência em etnocomunicação de Idjahure Kadiwel, correspondente da Rádio Yandê e pesquisador do audiovisual indígena contemporâneo, com a produção em diversas linguagens artísticas de Márcia Kambeba, que foi locutora em rádio comunitária por dez anos, e a recriação no meio digital de um espaço de formação e debate sobre a temática indígena co-promovido por Fernanda Aires Bombardi, professora e doutoranda em História, na História Indígena Hoje.

Como se valer das redes sociais para disputar as narrativas construídas sobre os povos indígenas no Brasil? Como promover debates na internet sobre questões indígenas considerando que parte deles não possui um acesso de qualidade à rede mundial de computadores? Se o desafio era romper os limites da Aldeia e os muros da Academia e posicionar a questão indígena no centro do debate público, a provocação passa a ser como mobilizar para além das redes sociais? Essas e outras perguntas permearão esta conversa.

Idjahure Kadiwel (1990) nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e pertence aos povos Terena e Kadiwéu (MS). É poeta, editor, tradutor e antropólogo, graduado em Ciências Sociais pela PUC-Rio (2016) e mestre em Antropologia Social pelo PPGAS do Museu Nacional/UFRJ (2020). Em sua dissertação de mestrado retratou a trajetória de vida de seu pai Mac Suara (1962), o primeiro ator indígena no cinema brasileiro, que estreou nas telas em 1985, com Avaeté: Semente da Vingança, tendo sido também um dos fundadores do Núcleo de Cultura Indígena e da Aliança dos Povos da Floresta. Desde 2016 é correspondente da Rádio Yandê, a primeira web rádio indígena no Brasil. É editor da coleção Tembetá (Azougue Editorial), projeto editorial que teve o objetivo de visibilizar a trajetória e o pensamento de diferentes personalidades do movimento indígena no Brasil, com 9 livros de entrevistas publicados entre 2017 e 2019; e do catálogo da exposição de artes indígenas Véxoa: Nós sabemos (2020-2021), sob curadoria de Naine Terena, na Pinacoteca de São Paulo. Atualmente é pesquisador do programa de residência MAM | Capacete.

Márcia Kambeba é oriunda do Alto Solimões, tendo nascido na aldeia do povo Tikuna, denominada Belém dos Solimões. Possui graduação em geografia pela Universidade do Estado do Amazonas e mestrado em geografia pela Universidade Federal do Amazonas. Protagonizou várias turnês de canto, poesia e palestras no Brasil e no exterior, produzindo performances e falas sobre a cultura dos povos indígenas, educação e questões socioambientais. Com uma produção em diversas linguagens artísticas, Márcia é autora dos livros Ay Kakyri Tama (Eu moro na cidade, em português), publicado pela Editora Pólen, e O Lugar do Saber, lançado pela editora Casa Leiria, ambos em 2018.

Fernanda Aires Bombardi é doutoranda e mestra em História Social pela USP e bacharela e licenciada em História pela UFPA. Tem experiência em História da América, História do Brasil Colônia e História Indígena e do Indigenismo. Realizou estágios de pesquisa na Universidade de Évora, Portugal (2016), e na Universidade Pablo de Olavide, Espanha (2018/2019), visitando acervos de diversos arquivos e bibliotecas de Portugal, Espanha e Itália. Atualmente é Coordenadora Adjunta do Centro de Estudos Mesoamericanos e Andinos (CEMA-USP). Atua, desde 2013, em variados níveis de ensino: Fundamental II, Médio, Educação de Jovens e Adultos, estágios e docência em nível superior e cursos de extensão. Co-criadora da página História Indígena Hoje (instagram e facebook), atua no fomento de uma História cada vez mais pública e plural.

Mediação:

Luma Ribeiro Prado é mestra (2019) em História Social pela Universidade de São Paulo. Bacharela (2013) e licenciada (2014) em História pela mesma instituição. Especialista em história colonial da Amazônia, seus interesses tangenciam os campos da história indígena, ensino de história, história do trabalho, história social da justiça e do direito. Dedica-se também à produção e à apreciação de material didático, com especial atenção à observância da Lei 11.645/08, que determina o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena. Desde 2013, atua com educação formal e não formal: no espaço público, em museus e instituições culturais, em cursinho pré-vestibular, no ensino básico, na extensão universitária e formação de professores. Sua dissertação foi contemplada pelo Prêmio História Social da USP (2020). Co-criadora da História Indígena Hoje (instagram e facebook), plataforma intercultural de debates sobre questões indígenas e socioambientais.

Textos, vídeos, podcasts relacionados aos participantes e ao tema da mesa:

Idjahure Kadiwel:

História Indígena Hoje (Fernanda e Luma):

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